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sábado, 29 de dezembro de 2012

um trem para Roma

Giuliano Gemma

Assim que entrei no trem, com destino a Nápoles, logo me instalei numa das cabines que ainda estavam vazias. Na cabine ao lado, uma mãe e cinco filhas colombianas, a caminho de Gênova, para encontrar a sexta filha, que morava na cidade italiana há algum tempo. Muito simpáticas, elas vieram falar comigo e, se eu deixasse, passariam toda a viagem falando mal dos franceses, do trânsito ruim etc. Mas, dei um basta no tema, explicando que éramos todos latinos e estávamos viajando. Nessa situação, tudo é festa. Depois disso, vendo que eu não seria a interlocutora ideal para o falatório, a mãe abriu uma cesta enorme, cheia de guloseimas e fizemos um verdadeiro piquenique na minha cabine. Quando o sono bateu, elas se retiram e eu fique só. Mas, não por muito tempo. Logo, chegou um cara com a cara de Giuliano Gemma, um ator italiano, que eu acho que ninguém mais se lembra. Seguro do layout atrativo, ele foi entrando e perguntando: italiana? Eu, ainda em estado de choque, respondi: não. Ele insistiu: Francese? Não. Brasileira. E ele não “resistiu”: ma io amo le donne brasiliane! E foi entrando, sem pedir licença, fechando a porta da cabine e as cortinas. Sentou-se na poltrona ao meu lado, passou a mão por trás do meu pescoço e com a outra pela frente, me segurou na poltrona. Eu ainda titubeei, pois não acreditava no que estava acontecendo, achei que era uma alucinação, mas reagi e, com força, levantei e fui para a poltrona na frente dele. Ele riu assustado, mas continuou a conversar, disse que conhecia duas brasileiras, que dormia com as duas, que elas eram lindas, que brasileira não precisava usar roupa e coisas do gênero. Eu joguei um “balde de água fria” nele quando disse que ele estava vendo muita revista de carnaval, que aquilo era tudo mentira. Meio desencantado, vendo que daquele mato não sairia coelho, ele escapuliu da cabine e eu dormi. Só acordei no dia seguinte, com um homem tentando abrir a minha bolsa.