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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

o início

Sempre gostei de viajar sozinha. Comecei, assim, as minhas andanças pelo mundo. Aos 20 e poucos anos, sozinha, com um frio na barriga e um nó na garganta, peguei um voo no Rio, da Aerolíneas Argentinas, para Londres, com conexão em Madri. De Madri para Londres, pela Ibéria.  

O primeiro voo estava lotado e sobrou, pra mim, a classe executiva. Viajei ao lado de um advogado do Ministério de Relações Exteriores da Argentina, que estava indo para Varsóvia. Ele contou que fazia essa viagem, pelo menos, uma vez por mês. Fiquei intrigada, mas não perguntei o motivo desse vai e vem. Apenas pensei: sorte dele. Ou azar, não sei.

De Madri para Londres, meu lugar no avião era numa janela. Já acomodada e bastante emocionada, pois estava indo à cidade dos meus sonhos, ouvi a voz de uma inglesinha ruiva e sardenta, de uns 12 anos, me perguntando se eu me incomodaria de ceder a janela para ela. Fui muito sincera e disse que sim. Eu precisava ver a cidade de cima, sabe como é? Aquele desenho sinuoso das ruas na periferia, o Tâmisa cortando a cidade... eu não podia perder. Aquela menininha era inglesa, já devia ter visto aquele cenário uma dezena de vezes... Além do que, o destino havia me colocado “naquela” janela. Depois que ela saiu, um tanto decepcionada, me arrependi. Mas, já tinha passado... ela havia encontrado alguém mais generoso que eu, mais civilizado, sei lá, e estava em outra janela.

o Tamisa cortando a cidade
Quando me dei conta, já estávamos sobrevoando Londres. Aquilo tudo parecia um filme, um sonho. Percorri as ruazinhas com os olhos, tentando adivinhar a vida de quem morava naquelas casas. E me bateu uma saudade daquela cidade para a qual eu estava indo pela primeira vez. A sensação era de que estava voltando para casa. No avião, começou a tocar Penny Lane, dos Beatles. O coração apertou, subiu um nó para a garganta e eu desabei - mas contida, civilizada. Isnif, isnif em vez de buaaaá, dá para entender?
o velho routemaster
No aeroporto, não havia ninguém me esperando. E, nessa primeira vez, eu não fiz como costumo fazer: ler sobre a cidade, reservar hotel, fazer um roteiro, pesquisar mapas... Resultado: não tinha ideia de onde ir. Mas, tudo era tão familiar para mim, que eu resolvi sair do aeroporto e, como quem já conhecia o pedaço, esperei. Chegou um ônibus e eu “reconheci” o destino: Victoria Station. Sim, era pra lá que eu deveria ir!  Chegando à estação, eu me dirigi ao balcão de turismo. Pedi sugestão de hotel e um mapa. A atendente me deu as coordenadas, indicou as estações de metrô e logo eu me senti at home.