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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

anjos pelo caminho

Existe muita gente boa no mundo, gente simpática, disponível, pronta para ajudar. Ao longo da minha vida, tenho me deparado com essas criaturas, verdadeiros anjos da guarda que aparecem na hora em que mais preciso. E eles estão espalhados por todo o planeta. Quando a gente menos espera... olha lá uma mão estendida, um ombro amigo...

Um desses anjos me apareceu quando eu esperava o ônibus para Edimburgo, na Victoria Coach Station. Eu estaria completamente feliz se não fosse o medo. Medo da solidão, de não ter para quem pedir socorro. Não planejei a minha viagem, como faço hoje. Não sabia se keith estaria lá, à minha espera. E a minha cara deveria estar mostrando tudo isso.

10 milhões de passageiros passam por essa estação, por ano.
Depois de uma meia hora, sentada num dos bancos da estação, chega uma menininha com um suco de caixinha me oferecendo. Eu agradeci, falei que não estava com fome e comecei a conversar com ela. Logo depois, chegaram o pai e a mãe, com suco e sanduíche pra mim. Será que a minha cara é de fome? Acho que fome e medo se confundem, são muito parecidos. Eles explicaram que estavam me observando, que me acharam triste e perguntaram se eu estavam com algum problema. Eu falei que não, muito pelo contrário, que estava viajando de férias, mas que, realmente, naquele momento, eu estava com medo, apreensiva e me sentindo só, sem ter com quem dividir as observações, com quem conversar. Eles concordaram comigo, de que viajar sozinho tem vantagens e desvantagens,  e começamos a conversar, a falar de viagens.


Eles estavam vindo de Roma para Manchester, eram católicos e tinham ido pagar uma promessa. Falaram da cidade, do trânsito, do calor, dos passeios que fizeram e, quando eu percebi, eu estava mais tranquila, me sentia mais leve, mais confiante. Afinal, o que poderia me acontecer de ruim? Eles também perceberam isso, e como já estava perto da hora do embarque, eles se despediram e me deram uma medalhinha, comprada no Vaticano e abençoada pelo Papa, de Nossa Senhora. Fiquei emocionada com o gesto. Eles eram uns desconhecidos para mim. Mas, foram as melhores pessoas com as quais eu poderia estar naquele momento. Eles me deram ânimo e força, me encorajaram, me mostraram que nada de ruim poderia me acontecer.
Guardei a medalhinha na minha carteira por mais de 20 anos. E se não fosse o ladrão que me roubou a carteira, na Grécia, ela ainda estaria comigo.