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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Trauma do bem

Meu trem de Paris para Roma estava marcado para as 20:43. Às 20, eu já estava em busca da plataforma. Mas, o trem que estava ali ia para Nápoles, que fica mais ao sul da Itália. Achei que o trem não era aquele e fui ao guichê de informações. A atendente disse que não falava inglês. Perguntei a outra e a resposta foi a mesma: Je ne parle pas anglais. Corri todo o guichê internacional e nada. Ninguém falava inglês – mas, isso era o que eles diziam. Fui ao guichê nacional e a mesma coisa. E como não tinha alternativa, comecei a perguntar a todos que passavam por mim. E todos se recusavam a falar inglês. Como assim? Num minuto, o árabe me adora. No minuto seguinte, todos os franceses daquela estação me odeiam? Na verdade, tratava-se de má vontade, o tal do mau humor francês que tantos falam.

Sem resposta, às 20:15, bateu o desespero e aí, já chorando, comecei a gritar: quem fala inglês, quem fala português? E um alemão se aproximou de mim. Eu expliquei o que estava acontecendo e ele se dispôs a me ajudar. Juntos, fomos a um guichê e, em francês, ele perguntou sobre o meu trem. A explicação foi o trem que vai para Nápoles passa em Roma. Respirei aliviada, agradeci ao alemão, desejei a felicidade dele, agradeci a Deus não ter que passar mais uma noite ali e corri para a plataforma. Entrei logo no trem e me instalei numa cabine vazia, com 6 lugares. Eu tinha comprado um Eurailpass na primeira classe. Se fosse de segunda, a minha cabine teria 8 lugares – essa era a única diferença.

Assim que me acomodei e aquietei o pensamento, jurei a mim mesma que, assim que chegasse a Aracaju, me matricularia na Aliança Francesa! E assim foi. Me matriculei no semestre seguinte e, por 9 anos, às terças e quintas, 6 da tarde, frequentei a AF. Cheguei ao Nanci I. Nesse período, além de ter feito grandes amigos, melhorei a qualidade das minhas viagens. Considero este trauma do bem!