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domingo, 13 de janeiro de 2013

Suíça inesquecível

Depois de Roma, saímos meio sem destino: paramos em Siena, Florença, Veneza, Como, Milão e Varese. A hospedagem era, sempre, em albergue da juventude. Mas, em Varese, ficamos na casa de um amigo de Magali. Com ele, conhecemos toda aquela região e, de lá, fomos para Zurique, onde Hans e Eunice, amigos de Magali, nos esperavam. Mas, é difícil sair da Itália! A vontade que dá é de ficar ali para sempre, entre aquelas obras de arte, naquele museu a céu aberto. Mas, como o nosso propósito era perambular pelo continente, deixamos a Itália para trás, com o coração apertado.

Magali, Dulce e eu, no Lago de Como
Veneza
Galeria Victor Emanuel
Em Zurique, ficamos hospedadas na casa de Eunice e Hans. Eles moravam num apartamento delicioso, de dois quartos, mas muito amplo.  O prédio ficava numa área verde da cidade e tinha um abrigo no subsolo, que os moradores mantinham com alguns mantimentos. Herança de guerra. Na verdade, eles não tinham como esquecer a segunda guerra. Toda semana, passava um filme na TV, sobre esse tema, e os cidadãos suíços se viam obrigados a assisti-lo - para que os horrores da guerra não fossem esquecidos por ninguém. Nem pelas visitas!!! Mesmo que fosse um filme em alemão, bem velho e mal feito. O dono da casa traduzia para todos!

Assim que chegamos, soubemos que Hans e Eunice tinham comprado uma mesa para a comemoração da Independência do Brasil, organizada pela comunidade brasileira que morava em Zurique. A festa era num barco todo iluminado, e duraria umas 6 horas. Haveria um jantar com um grupo musical e umas mulatas brasileiras dançando. O grupo era formado por suíços e era muito engraçado vê-los sambando. Na festa, muitas brasileiras casadas com suíços, e suíças casadas com brasileiros. Também estavam o diretor do Banco do Brasil e algumas pessoas da embaixada brasileira. Fiquei com vergonha quando vi algumas brasileiras já de porre, dançando em cima das mesas. Mas, não tinha para onde correr – estávamos num barco no meio do lago de Zurique! Esperamos o passeio acabar para sair dali correndo! Mas, valeu, nos divertimos muito!

Magali, Dulce e eu, na festa brasileira
Alemão, francês e italiano são as três línguas oficiais do país, mas Eunice, que já morava em Zurique há mais de dez anos, só falava francês. O marido falava as três línguas, além de inglês. Hans era educado, culto, um cavalheiro, tinha, sempre, um sorriso nos lábios e todo o tempo do mundo para nos receber, pois já estava aposentado. Com ele e Eunice, conhecemos toda a cidade e arredores. Passávamos os dias juntos, vendo lugares deslumbrantes. Hans mostrava tudo com prazer e orgulho: os rios límpidos, sem poluição, as montanhas sempre decoradas com neve nos picos, a natureza preservada. Pelas belíssimas estradas que passávamos, víamos aqueles cenários incríveis, a composição perfeitas de montanhas, lagos, céu azul e casinhas de boneca - pareciam saídas da imaginação de um pintor. Víamos as casinhas pobres, também - mas honestas, inteiras, que abrigavam uma família com dignidade. Certamente, ali, pais e filhos não dormiam amontoados em um só quarto. As crianças que víamos estavam, sempre, limpinhas, cuidadas, com a bochecha cor de rosa, indo ou vindo da escola. Pensei comigo: essas crianças nasceram de uma mãe saudável, numa casa onde nunca faltou alimento, cresceram tomando leite, iogurte, comendo carne, com frutas e legumes à vontade. Tive vontade de chorar, comparando com os nossos brasileirinhos, e desejei aos políticos brasileiros todo o bem que eles nos proporcionam.


num dos muitos passeios que fizemos com Hans e Eunice
uma das belas e bem cuidadas estradas suíças
Nossa convivência era muito engraçada: Hans e Eunice se comunicavam em francês; nós três, com Eunice, em português; e com ele, em inglês. Depois, era tudo traduzido, já que nenhuma dessas línguas era comum a todos. 

Passamos quatro dias maravilhosos em Zurique. E, mais no fim da viagem, eu ainda voltei e fique mais 9 dias. Nós estávamos em Paris, que era a última cidade da viagem de Dulce e Magali. Dali, elas voltariam para o Rio e eu ficaria mais um mês - e sozinha! Mas, eu gripei, tive febre alta e elas só sossegaram quando me puseram num trem de volta a Zurique. Só assim, viajariam tranquilas. Dócil que sou, obedeci. Não dava para ignorar o febrão e a dor de garganta. Eunice e Hans foram me buscar na estação. Fiquei uns três dias de cama. Depois, foi só alegria!


eu e Eunice numa das muitas cidadezinhas que percorremos nos 9 dias que fiquei  com eles