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domingo, 20 de janeiro de 2013

civilidade suíça

Quase um mês depois, voltei a Zurique, gripada, com febre e dor de garganta. Eunice e Hans me acolheram e lá fiquei por 9 dias. Três foram perdidos com a gripe – fiquei em casa, sem sair, só vendo TV, conversando, ouvindo música e lendo. Mas, os dias que restaram foram muito bem aproveitados.

Eu não estava muito preocupada em sair e fazer turismo, uma vez que eu já tinha visto tudo o que interessava. Mesmo assim, conheci várias cidades – Hans queria me mostrar toda a beleza do país e, como estava aposentado, saíamos todos os dias. Mas, eu queria, também, aproveitar e viver o dia a dia de um morador, ver o que eles faziam e onde faziam. Gostava de sair com Hans e Eunice para o supermercado, para a feira, para o açougue (verdadeiras boutiques de carne), lavanderia, levar o cachorro para passear... ficava comparando os preços, a educação, o nível de civilidade.

Em Zurique, há mais ou menos 30 anos, a preocupação com o meio ambiente já era grande, todos já se preocupavam com a preservação, com a vegetação, com a reciclagem do lixo, com a poluição, com os rios. Hans falava com muito orgulho dos rios, que não eram poluídos, e que todos no país sabiam nadar (a natação era obrigatória nas escolas), das áreas verdes, que eram preservadas a todo custo. E da campanha constante do “não desperdício”. Afinal, a Europa tinha vivido algumas guerras e as guerras ensinam muito! Ele me deu um exemplo: se naquele ano, a safra de maçã fosse maior que a do ano anterior, a população comprava mais maçã, para que não fossem jogadas no lixo. Incrível, né?!

Todos muito conscientes, muito polidos e civilizados, um exemplo pro resto do planeta! Até que um dia, saí com uma brasileira, amiga de Eunice. Cecília trabalhava fazendo faxina e fui com ela à casa de um cliente, acertar o dia da semana que ela faria faxina para ele. Fui apresentada ao suíço, por quem fui muito bem tratada. Mas, quando ele terminou de falar comigo e se dirigiu a Cecília... percebi o ar de superior, de autoridade. Assisti à cena com cara de boba, até porque o diálogo era em alemão. E saí de lá, com 5 barras de chocolate que ele me presenteou, e intrigada, sem entender nada. Cecília me explicou: eu era turista, estava deixando dinheiro no país, diferente dela, que era uma brasileira irregular, e que era “funcionária” dele. 

Naquele momento, toda a minha admiração e encantamento com a Suíça foi pelo ralo.