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sábado, 2 de março de 2013

BERLIM INESQUECÍVEL...

Há 3 anos, fui a Berlim. Escolhemos um hotel na região do Mitte, o Circus, que eu recomendo, próximo à Alexanderplatz, uma praça bem central na cidade, onde fica a torre de TV, de onde se tem uma das mais belas vistas do alto. A Alex, como é chamada pelos íntimos, é frequentada por turistas e os próprios berlinenses, músicos de rua, skatistas, punks e artistas em geral. Nas imediações, uma estação de trem e metrô, uma loja de departamento antiga, a prefeitura vermelha e outros prédios interessantes – novos e antigos -, que contam um pouco da história da cidade. Achei que ficaríamos muito bem, no meio disso tudo.

Alexanderplatz e Dom ao fundo
a torre da TV
a Galeria Kaufhol 
a Prefeitura 
artistas se apresentando na rua

A minha ideia era ficar na parte oriental. Isso porque, há muitos anos, assisti a um filme chamado Berlin Alexanderplatz, de Fassbinder, e nunca mais esqueci. Esse nome, as imagens, os personagens ficaram impregnados em mim e eu não poderia ir até lá sem ficar, pelos menos, por perto.  

Cheguei sozinha. Teria sido mais fácil pegar um táxi para o hotel. Ele teria custado, no máximo, 12 euros. Mas, gosto de me misturar com os locais nas cidades que visito. Peguei um ônibus, parei no meio do caminho para pegar um metrô e desci na porta do hotel. Foi muito fácil. Até porque a minha mala não pesava mais do que 10 quilos - para 15 dias de viagem. Civilizada, eu, né?!
João Miguel estava numa feira em Munique e combinamos de nos encontrar 4 dias depois da minha chegada. Enquanto estava só, perambulava pela cidade. Acordava cedo e saía com um guia e o mapa na mão. Gostava de passear no Tiergarten, um parque enorme, pulmão da cidade. Mas a minha preferência, mesmo, era ver as lembranças da Segunda Guerra - Museu Judaico, Memorial do Holocausto, Bunker de Hitler etc.

o tocante Memorial do Holocausto
a modernidade do Museu Judaico
a impressionante Keiser-Wilhelm-Gedachtniskirch, que foi bombardeada na guerra, mas continuou ali para que os horrores da guerra não sejam esquecidos.
Parava, vez por outra, para experimentar as cervejas e a comida alemã. Acho que nunca bebi tanto na minha vida! Parava, também, quando encontrava as cruzes que marcam os lugares onde pessoas tinham morrido, tentando pular o muro. Primeiro, era o susto, uma dor no peito. Depois, um nó na garganta. Em seguida, esse nó subia e explodia, saía pelos olhos. Muitas imagens passavam pela minha cabeça – e elas só podiam ser fruto dos muitos filmes de guerra a que assisti e dos livros sobre o tema que li. Afinal, a Segunda Guerra foi um dia desses e não daria tempo para uma reencarnação. 

cruzes em praças....
....em ruas...
...às margens do rio Spree. Elas estavam sempre à minha vista
Estávamos em maio e o tempo era perfeito. Sol, céu azul e temperatura por volta dos 13 graus. Para ser melhor, só faltava João Miguel. Mas, ele deveria chegar em alguns dias. Não me restava outra coisa a não ser aproveitar o que eu tinha, naquele momento: a minha companhia e aquela cidade toda para ser explorada. Usei muito o ônibus para percorrer Berlim. O sistema de transporte é ótimo e dá pra gente correr toda a cidade nos ônibus regulares. Andei muito a pé, também, maravilhada com as ruas arborizadas e floridas. Vi muita galeria de arte, fui ao Jardim Botânico e ao Aquário da cidade. Quando João Miguel chegou, fiz tudo isso com ele, outra vez.


ruas arborizadas e floridas - que inveja!
a loja de Romero Brito, na exclusivíssima Avenida Unter den Linden

arquitetura incrível

Impossível ir a Berlim e não voltar mexido. Os restos de muro pela cidade lembram o sofrimento da separação de famílias, amigos e amores. O passado continua lá, embora a cidade tenha uma vida movimentada, seja alegre e cosmopolita, uma das principais capitais do mundo. No Check point Charles e outros pontos de passagem do muro, estudantes reconstituem a história, vestidos com uniformes de militares russos, americanos e ingleses e, em troca de uma gorjeta, posam ao lado de turistas para as fotos. No Museum Haus am Checkpoint Charlie, fotos, vídeos, documentos e objetos relacionados ao muro, como as tentativas de fuga do lado oriental para o ocidental, das formas mais criativas e absurdas, que denotam o desespero dos moradores. 
Check Point Charles 
Potsdamer Platz
Na véspera de João Miguel chegar, eu fui a um bar gourmet sugerido pela minha amiga Dra. Angélica Rollemberg, uma expert em Alemanha. Ele ficava no sexto andar da KaDeWe, a segunda maior loja de departamentos da Europa - só perde para a Harrods, em Londres. Antes do almoço, tomei uma cerveja. Duas. E pronto: a desgraça estava feita. Não preciso de muita coisa para ficar bêbada. Precisei dar um tempo para me recuperar e pedir a comida: massa. E, claro, um vinho tinto. Só Deus sabe como eu saí dali. Mas, valeu a dica, Dra. Angélica. Além de ser um lugar lindo, a comida estava deliciosa!

Quando João Miguel chegou, foi uma festa. Fui buscá-lo no aeroporto, feliz da vida, doida para dividir aquilo tudo com ele! Para comemorar a chegada dele, uma, apenas uma cerveja! Ele já me encontrou mais pra lá do que pra cá.

a cerveja - doce - que tomei de canudinho, no aeroporto, enquanto esperava por ele.
Depois de pegar a mala, fizemos o mesmo percurso que eu, quando cheguei. Comemos alguma coisa no caminho, tomamos um banho no hotel e fomos ver a Filarmônica tocar. Compramos os ingressos ainda em São Paulo, pela internet. Este seria o ponto alto da nossa viagem. Estávamos ansiosos para assistir à Filarmônica, naquele prédio maravilhoso, famoso pela arquitetura de linhas assimétricas, pela acústica perfeita.


Phillarmonie
ansiosos para ver o espetáculo
incrível como a música emociona!
Na bolsa, levei, apenas, o passaporte, a câmera fotográfica e algum dinheiro. Quando voltamos, às 11 da noite, encontramos o nosso quarto mexido, malas abertas e nada do laptop de João Miguel, da minha bolsa e de uma malinha com os acessórios do computador e do celular. Também achei que o ladrão tinha levado o dinheiro que eu tinha enfiado no meio da roupa que estava na minha mala. Na mesma hora, avisamos ao hotel, que logo chamou a polícia. Passamos a madrugada cancelando cartões, conversando com os policiais, João Miguel se consultando com um médico para poder comprar os remédios que o ladrão levou, e em busca de uma farmácia – àquela hora, estavam todas fechadas. Voltamos ao hotel por volta das quatro da manhã. Nossas malas já tinham sido transferidas para outro quarto – maior e mais bonito. E quando a gente acordou, a gerente falou que poderíamos comprar tudo que tinha sido roubado, que seríamos reembolsados. E assim fizemos. Prejuízo material, nenhum. O seguro do hotel cobriu tudo. E ainda tivemos as 9 diárias como cortesia. 
Só nos restava, naquele momento, aproveitar os 4 dias que ainda tínhamos na cidade. Depois, dali, seguiríamos para Koln!

o Portão de Brandenburgo
a cidade vista da torre de TV
o incrível Reichstag, o parlamento alemão.
eu queria uma cidade assim, cheia de árvores
Tiergarten - um dos muitos parques em Berlim.